sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Vem! Estou te esperando!

Como eu falei aqui estava sentindo a necessidade de deixar crescer.. de transformar a minha arte-oficio, o meu hobby, o meu 'micro negócio'... estava, como diz a Lu Gastal, precisando virar a esquina. E segui meu coração... Tudo foi se encaixando naturalmente, e agora, o Nina Nenê tem um novo endereço!
Não foi só o endereço que mudou! vem muitas novidades por aí... a primeira delas é a OFICINA CRIATIVA. Serão aulas de artesanato para crianças a partir de 6 anos de idade, lá abusaremos da criatividade... As turminhas são montadas em horários flexíveis, e com no máximo 4 alunos por turma.. pra poder dar a devida atenção à todos!
As inscrições já estão abertas!
As portas do ateliê também!




Espero você <3 br="">

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Senta que lá vem história

fonte imagem: Pinterest
Filha e neta de alfaiates, desde muito cedo tive contato com linhas, agulhas, botões e tecidos. Cresci brincando de esconde-esconde dentro da caixa de retalhos da Alfaiataria Zborowski Ao entrar na adolescência ocupava minhas férias arriscando alguns pontos no crochê, fazia toucas e mantas para aquecer meus dias no frio rio-grandense. Gostei tanto que tudo o que era artesanal me chamava atenção... Fiz brincos e bandanas de miçanga, bombonieres em formato de boneca com garrafa de refrigerante para vender. Aos 16 anos entrei na faculdade, convicta de que seria para sempre enfermeira. Antes dos 18 a vida me presenteou com uma Linda boneca viva. A gravidez era de risco e a faculdade em outra cidade. Foram longos meses de repouso, com o ponto cruz me fazendo companhia. Depois que minha menina nasceu, fomos embora em função do trabalho do meu marido. Morando longe de toda a família e dos amigos eu coloria meus dias mesclando brincadeiras coma minha filha e toalhinhas bordadas em ponto cruz. Não demorou muito para encomendarmos o nosso menino. No dia das mães de 2010 ganhei do meu pai uma máquina de costura, para fazer pequenas arrumações. Mal sabia que aquela máquina era estragada, e que aquele era um teste para saber se eu realmente queria costurar. Depois de muitos dias de monta e desmonta naquela velha Singer, meu pai contou sobre o teste e me deu uma máquina nova. Em uma Singer Fashion, que leva o nome de Josefina, passei muitas noites e insônia redescobrindo o mundo da costura. Com as crianças pequenas, e longe da família trabalhar fora não estava nos nossos planos. Eu sempre senti muita falta da família, dos amigos... De sentar em uma roda de chimarrão e ”colocar a fofoca em dia”, então usava e abusava da internet. Em uma dessas andanças conheci a “blogosfera’’ (termo usado entre blogueiras para descrever o mundo dos blogs) e eu, que sempre gostei de ler, de escrever, me encantei com tantas coisas lindas. Um mundo cheio de dicas sobre maternidade, cozinha, decoração, fotografia, costura, histórias de vida... Era um lugar mágico e eu não poderia ficar fora dessa!
Assim com o intuito de interagir com essas blogueiras que eram tão alto astrais nasceu o Nina Nenê. Ainda com o nome de ‘’esquiNina do bordado’’ comecei a mostrar algumas coisas que fazia para a minha casa, para meus filhos, pequenas encomendas da família e quando percebi já estava levando no correio a 1ª encomenda recebida pela internet. Tudo foi acontecendo aos poucos, o Nina Nenê foi crescendo, assim como meus filhos. A alegria da primeira encomenda internacional veio junto das primeiras palavras do meu filho. Fui me encontrando, me dedicando, me arriscando, me redescobrindo... Aos poucos consegui imprimir a minha identidade nos meus trabalhos. Cada peça que criava, carregava um pouco de mim. Junto do retorno para minha cidade natal veio a conquista da casa própria, e então senti que era a hora de investir na minha nova e encantadora profissão. O primeiro passo foi a regularização da empresa. Conheci o MEI através de uma artesã do Mato Grosso, que também é blogueira. O custo-benefício é gigantesco, pois o valor é algo que cabe no bolso e a lista de vantagens é enorme. Nem sempre é fácil, muitas vezes o medo toma conta, mesmo para quem tem espírito desbravador. O desejo de tirar o ateliê da sala de casa e dar ao meu trabalho uma vitrine maior na cidade onde cresci está cada vez mais gritante. Tudo está sendo feito com calma e com a alma. Em cada projeto novo tem depositado não só horas de criatividade, mas também muito amor e dedicação. A busca pelo conhecimento está sendo diária e o apoio da família tem sido fundamental. Planejamento e gestão são palavras que estão sendo muito exploradas. Assim vou costurando minha história junto da do Nina Nenê, alinhavando sonhos com muito amor, criando asas para alçar vôos cada vez maiores.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Os olhos do meu avô

OS OLHOS DO MEU AVÔ
Fernandda Irala Gomes


Estefan Zborowski - Na Alfaiataria Zborowski

Nessa tarde mormacenta
Tomando quieto meu mate,
Uma imagem vem de longe...
Parece que de um cantinho
Logo depois do horizonte...
De um lugar iluminado
Onde o sonho se aninhou...
Uma imagem vem de longe:
Os olhos do meu avô!

É uma imagem distante
Trêmula qual sol no horizonte,
Mas de uma emoção tão presente
Que descortinou das lembranças
As histórias que ele contava.

Meu avô era assim:
Misto de olhos e lembranças,
Taura que o tempo guarda nos livros...
Relíquias que a saudade vem contar!

Os olhos do meu avô!

Talvez eu nem saiba ao certo,
Mas sinto que me acompanham
E sentir é o fundamento
Que me faz continuar o mate,
Lindeiro das minhas saudades...
Vertente das minhas lembranças.

Do passado ao futuro
Januário Araújo é assim...

Foi assim... Será assim!
Guri dado que não aceitou seu destino...
Contraponteou com sua faca
O fio malino da vida!

Se fez homem, se fez pai,
Se fez rei no seu mundo...
Se fez, dito por todos,
Um homem de bem
Acima de tudo!

Mas suas histórias
Foram seu maior legado,
E são elas que me vêm
Nessa tarde mormacenta...
Que o vento quase parando
Sussurra ao meu ouvido.

E pra endossar o que digo
Se achegam ao pé do ouvido
“Gracias” dos muitos que se foram,
Homenageados com sua destreza...
Lembranças em pedra-sabão!

Ainda vejo em meus sonhos
A sua estampa gaúcha
Chegando num fim de tarde
Da lida bruta do campo.
Um pouco antes da janta,
Limpando o rosto suado
Em uma bacia velha
Que lavava até pecado!

Os olhos do meu avô
Percorreram o continente...
Viram guerras, viram dores,
Mas eram olhos de paz.

Não foram corrompidos
Com a perversidade de outros...
Se fez amigo dos bichos,
Talvez por encontrar nesses
A liberdade que já não via nos homens.

Meu avô era assim:
General de pátio e fogão!
Ergueu sua casa e sustentou
Sua família com as próprias mãos,
E embaixo das árvores que plantou
Tomava o seu chimarrão!

Agora a tarde se fina
E com os olhos marejados
Tomo meu último mate.

Na vida, são poucas coisas que trago,
Mas estas lembranças que tenho,
Certamente guardo pra os filhos
Que ainda terei.

Tentando me recompor
Desse momento pequeno, mas eterno...
Dessas lembranças que tenho
E das quais me sustento...
Vou lavar o meu rosto
Pois a janta já me espera
E na mesma bacia velha
Que o tempo não extraviou,
Ao fundo da água vejo...
...os olhos do meu avô.