sábado, 3 de outubro de 2015

Lua cheia - A gestação - Relato de Parto parte I


Desde a mudança pra São Borja, nossa vida tomou um novo rumo.. um ritmo novo estava se estabelecendo.. a construção da nossa casa só fez provar isso! Com a retirada do ateliê de casa o negócio ficou frenético!

As aulas de costura para crianças estava bombando... várias alunas... e com o sucesso do projeto, com a propaganda boca a boca acabei dando aula pra alguns adultos também... um aprendizado e tanto!

Eu estava trabalhando pra caramba... o ateliê se tornou uma extensão da nossa casa, nossos filhos e meu marido costumavam passar um bom tempo lá comigo...

Final do ano eu estava super cansada... com o Natan estudando {nessa época de verdade, com uma professora maravilhosa, que quero pra sempre perto de mim} de manhã, Beatriz de tarde, com ensaios quase diários para o espetáculo anual de ballet... eu com mil produções natalinas no ateliê.. organizei um acampamento na antiga escola das crianças com a turma da Beatriz.. foi um sucesso TOTAL.. quase 30 crianças felizes tendo contato com a natureza, conhecendo a escola com outros olhos... desconstruindo a forma engessada de aprender... sendo felizes e me deixando feliz...

Uma amiga da família descobriu um câncer em fase terminal, e precisou de doação de sangue.. eu era compatível, doei.. infelizmente não tivemos mais tempo com ela...

Depois mais alunas, que aproveitaram as férias escolares pra aprender manualidades... o calor de 40 graus da minha terra amada...
Achei que o cansaço era por causa disso.. estava meio tonta... meio enjoada..  não estava comendo direito e estava fazendo o trajeto a pé depois que os filhos entraram em ferias escolares... com isso perdi uns 5 kgs

No final do ano comemorei o sucesso com minhas alunas em um rodízio de pizza







As meninas começaram a viajar e o ritmo ficou mais tranquilo.. eu consegui descansar um pouco mais, e com isso o sono monstro que eu sentia foi embora...



Profe que eu amo 

Natan curtindo a natureza

De qualquer maneira, parte em mim. Diz valer a pena ser assim. Que no fundo é simples ser feliz


Passeio de barco com o pessoal do trabalho do marido, na confraternização do final de ano

A Família do Ballet
Passeio em família...

Fizemos um gostoso passeio em família, mal sabia eu que naquele passeio, a família estava completa!

Nos divertimos muito..
Tomei banho de cachoeira, caí alguns tombos de bunda no chão.. que renderam boas risadas! Aprendi com a cunhada a plantar bananeira....







Tomamos um tostaço e voltamos pra nossa casa pra retomar a rotina com as energias renovadas...

De volta a rotina, as coisas foram acalmando e eu comecei a notar algumas diferenças no meu corpo... havia uma bolinha na minha barriga...Mas como eu estava tomando anticoncepcional injetável de 3 meses, e a injeção estava em dia, gravidez estava no final da lista... Conversando com algumas pessoas, cogitamos a possibilidade de ser um cisto... Por via das dúvidas passei na farmácia e comprei um teste dia 28/01


Confirmada a ''listra e meia'' marquei médico e no outro dia fomos ao consultório...


O obstetra iniciou o pré natal, pedindo uma ecografia, e procurando o batimento cardíaco do bebê...
Eu já abortei.. estava gestando a 14 semanas e o coraçãozinho simplesmente parou de bater.. o médico na época não soube explicar o motivo.. poderia ser por que o bebê tinha uma grave deficiência... Quem já passou por isso sabe que quando nos deparamos com outra gestação nosso pé, involuntariamente fica atrás! eu já pensava em uma gravidez fora do útero ou sei lá o que mais... afinal, eu tomava injeção carregada de hormônio.. fiz várias coisas que grávida não faria... enfim..

Enquanto ele procurava o bcf {batimento cardíaco fetal} ouvimos na direita da minha pelve um som ao longe... ele fuçou mais um pouco e em questão de segundos pegou o som forte, alto e claro de um coração batendo... porém.. na esquerda!!
Cheguei a questioná-lo sobre dois corações {e não! eu nunca torci por uma gestação gemelar.. nunca me imaginei sendo mãe de gêmeos e não tenho casos na minha família} mas ele disse que os bebês tem muito espaço pra nadar {seria o filho do Phelps pra nadar tão rápido??}

Com a requisição em mãos fui ao hospital... ecografia só para a outra semana.. nessa altura já estavamos todos eufóricos... Fomos em outro médico que faz eco

E ali tivemos que refazer as contas... eramos 4, agora somos 6!!

Duas cabecinhas... redondinhas.. perfeitinhas.. foi o que vimos... Mais dois para amarmos <3 br="" nbsp="">
A emoção foi gigante... um misto de sentimentos tomou conta... chegou, inundou meu coração e transbordou .. chorei durante toda a eco.. e ainda fiquei uma semana sem ar!!! uaau, essa mãe natureza é mesmo uma fanfarrona

Iniciamos naquele momento a busca por um obstetra que se encaixasse um pouco mais com uma assistência humanizada, ouvindo e respeitando a minha vontade, considerando os riscos reais... enfim.. não foi uma busca fácil.. teve muito choro... muito debate... algum embate também... me afastei de algumas pessoas.. me aproximei de outras! Vi duas pessoas em especial se transformarem, apenas com o poder da informação!

O pré natal iniciou com 19 semanas mais ou menos.. encontramos UM obstetra na cidade que não pediu pra agendar uma cesariana eletiva na primeira consulta, e com ele ficamos até o dia que minhas filhas decidiram nascer...


a gravidez foi super saudável...
continuei com as minhas atividades normais... porém diminui um pouquinho o ritmo... trouxe o ateliê de volta pra casa... perdi algumas alunas por causa da distância.. não moro em uma região central e isso dificulta a vida corrida das pessoas, mas estar em casa me permitia trabalhar mais a vontade, erguer os pés de vez em quando.. tomar um banho no intervalo das aulas...


Não pude fazer tudo o que queria.. não consegui curtir no modo slow motion a gravidez.. pq simplesmente ela passou voando! Muita coisa do enxoval das meninas fiz depois que elas nasceram!

Durante a gestação fiz o curso de formação de Doula... aprendi muito... conheci pessoas muito especiais e tirei lá algumas fotos




A viagem de volta de Santa Maria foi bem cansativa.. meus pés ficaram enormes, pela primeira vez... e só voltaram ao tamanho normal uns 5 dias depois da cirurgia...

Eu já estava gestando as meninas a mais ou menos 33 semanas.. Assim que cheguei do curso o obstetra me receitou uma injeção de corticoide.. a fim de acelerar a maturação do pulmão das meninas! Como uma gestação gemelar nunca é de baixo risco, é praxe fazer uso desse medicamento.. Conversei com minha ''doula virtual'' e amiga Mari Hart que também passou por uma gestação gemelar.. Conversei com a Enfa Obstetrica Zeza Jones durante o curso... Li alguns posts da dra Melania Amorim e decidi tomar...

Com 35 semanas mais ou menos, tive uma virose por causa da água.. e passei MUITO mal.. Minha rede de apoio é fraca.. é pequena e eu tenho uma carga de responsabilidade muito grande! quando eu fico doente, as coisas ficam sérias! isso raramente acontece.. mas quando acontece desestabiliza muita coisa!
Em função dos vômitos intensos, acabei perdendo o tampão mucoso...

Liguei para o obstetra e imaginem minha surpresa ao descobrir que ele estava curtindo férias nas praias do norte! Eu precisava de um atestado para entrar com pedido de auxilio doença no inss e me afastar do trabalho para cuidar de mim!

Fui em alguns médicos outra vez.. Fui ao hospital... Fui no inss e a rede de apoio continuava cada vez mais fraca.. minha perícia foi negada, e o médico me considerou apta ao trabalho.. mesmo com 36/37 semanas de gestação gemelar.. Foi bem custoso e demorado para que eu conseguisse o benefício... {no frigir dos ovos tive que devolver o $ ao inss por que as meninas nasceram durante o período que abrangia o benefício.. tive que fazer nova perícia e um mes depois delas nascidas, o valor que recebi foi menor do que um salário minimo}

Muito stress... muito cansaço... muita correria.. e eu que ja estava quebrando o mito da prematuridade obrigatória na gestação gemelar... que deveria estar descansando..  me preparando para a grande chegada estava me estressando cada vez mais... As meninas, que estavam cefálicas, acabaram ficando ambas pélvicas {sentadinhas, com a bundinha virada para o canal de parto}

Decidi fazer o que dava pra fazer pra amenizar o peso da falta de apoio...
Iniciei os exercícios para virar o bebê, ensinados pela parteira Naoli Vinaver.... Fazia exercícios de quente/frio... Estímulo de som.. Conversava com as gurias e apesar de entender o motivo delas terem sentado, pedia para que se posicionassem...
Percebi que não tinha tirado fotos em estudio da minha gravidez... 


Fui correndo com as crianças registrar esse momento...
Eu e o marido fomos escolher e comprar os brincos das gurias...
Trocamos os mais velhos de escola...
Almoçamos bastante na casa da minha sogra...
Compramos umas coisinhas que faltavam e quando menos esperávamos o grande dia bateu em nossa porta!

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