segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A arte de escrever...

9 de abril de 2017 - Domingo chuvoso

Na compra dos materiais escolares, meu menino não titubeou ao escolher o caderno dos personagens do desenho ''Alvin e os esquilos'. Não sei se ele se identifica com algum personagem, mas eu, sem dúvidas sim! Não só pelos desdobramentos que se precisa fazer para dar conta de uma turma de 6 {seja ela composta por 2 trios de esquilos ou uma dupla canina e um quarteto de mini-humanos} mas também por chamar o nome dos filhos 9 zilhões de vezes no mais alto tom que minhas cordas vocais conseguem atingir sem estourar, todo santo dia {sem aliviar nem mesmo em dia santo!}. Isto sem dúvidas me aproxima do Dave...
A história do meu menino na escola, certamente daria uma trilogia, com participações pra lá de especiais, afinal, se tem uma coisa que esse guri sabe ser nessa vida é especial! Ô carinha incrível! No livro atua, estamos num capítulo tenso, seu título não faz sentido para o menino, parece mais um emaranhado de riscos... se chama Caligrafia.
Se por um lado eu amava a arte da caligrafia, meu filho por sua vez, a detesta! Tem uma leitura maravilhosa, escreve em 'letra palito' de forma bem compreensível, contudo, se recusa a escrever {e as vezes até mesmo ler} as letras 'emendadas'

Seres humanos e suas particularidades!!

Me lembro pouco de quando tinha a idade dele. Aos 7 anos mudei de cidade por conta da separação dos meus pais, e isso deve ter bloqueado um pouco minhas memórias! Mas me recordo perfeitamente de ficar observando meus colegas novos na sala de aula escreverem em seus cadernos e livros. A forma de segurar o lápis me chamava atenção! Uma menina loirinha, tímida, segurava o lápis virando a mão como se tentasse proteger sua letra miudinha e arredondada em uma conchinha; outro menino, canhoto, segurava seu lápis de borracha na ponta entre os dedos indicador e médio, de uma forma que nunca mais vi igual!Ele escrevia rapidinho, e era dele que eu copiava com frequência por me atrasar enquanto ficava admirada olhando os outros copiarem.

Amava ver a letra da minha mãe, era uma letra muito peculiar. E até hoje nunca encontrei alguém que tivesse a letra sequer parecida. Na minha adolescência, minha mãe cursava faculdade de pedagogia, e precisei passar muita caligrafia para conseguir 'emendar' a letra e assim estar apta para alfabetizar seus alunos em sala de aula.
Nesse mesmo período, eu e uma amiga da mesma sala, aprendemos formas alternativas de nos comunicarmos. Eramos muito criativas, usávamos desde linguagem de sinais, código morse, língua do pê e também escrevíamos de trás para frente, assim os bilhetinhos que circulavam rapidamente pela sala não eram facilmente desvendados.

Adorava criar letras diferentes da minha, cheguei a falsificar a assinatura do meu pai em uma prova do 9º ano {8ª série, na época}. O que me trouxe sérios problemas com a diretora do colégio!
Eu, que no livro da vida do meu menino, sou mera expectadora, só posso ficar na torcida para que o encantamento pelas letras chegue logo, e que sua letra seja tão linda e única quanto é o seu coração.
Enquanto a magia não acontece, ajudo-o a desenhar seus primeiros rascunhos, demonstrando confiança e respeito pelo tempo dele!



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